25-04-2000. Análise da semana (alongada) de 14 a 24 de Abril de 2000 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA
HAIKA (FUSOM DE JARRAI e GAZTERIAK) a enorme baça da juventude basca independentista e revolucionária. Mas acaba-se-nos o tempo: o Capital destroça-nos a Terra. O Capital tenta destruir naçons e culturas. Aberri Eguna contraditório. A cegueira dos alienados, a insensatez dos "moderados" e a suicida covardia dos pusilánimes. E a tortura das bascas e bascos polos espanhóis. E a violaçom espanhola e francesa dos direitos das bascas e os bascos.
Aviso: NOM estou desesperado. SIM estou furioso e anojado. Se esta análise levasse incorporada som estariam a ressoar nos ouvidos dos seus leitores a repetiçom contínua de duas citaçons clássicas: "pesimismo da inteligência, optimismo da vontade" e "um conto sem senso, narrado por um idiota cheio de ruído e fúria". Porque o "mundo às avesas", o "mundo invertido, posto cabeça abaixo e patas para cima", o mundo falsificado que o Capital nos mente e nos mete polos olhos e os ouvidos a cada instante é cada vez mais esse conto sem senso, narrado por um idiota e cheio de ruído e fúria. E a imensa massa solitária dos infelizes alienados, os malditos "moderados" e os covardes pusilánimes cresce tanto e tanto a cada momento que apenas o optimismo da vontade pode compensar eficazmente o pesimismo da inteligência. Mas fôrom de mais, centos de milhares, milhons de "camaradas obscuros", as e os militantes comunistas que por todo o planeta queimárom as suas vidas num exercício heróico desse optimismo da vontade como para que eu nem quem me lem podermos optar polo burguês luxo de desesperarmo-nos.
Como contarei com mais pormenor na análise ALARGADA, o magnífico acontecimento do nascimento de HAIKA, a fantástica evidência da fortaleza da sua capacidade de convocatória (nengumha outra organizaçom política juvenil europeia é capaz de reunir 20.000 jovens num acto político como elas e eles figérom no sábado 22 em Kanbo), a clareza de ideias, a solidez das formulaçons, a decisom com que assume o seu papel de vanguarda e a generosidade da entrega da organizaçom juvenil nacional basca nascida no fim de semana passado da fusom de JARRAI e GAZTERIAK som umha prova MATERIAL, física, palpável e inequívoca de que o optimismo da vontade pode proporcionar-nos em horas difíceis o decisivo elemento subjectivo que faga mudar o rumo dos acontecimentos.
HAIKA (que tem ganhado com factos a honra de constituir a segunda instituiçom política nacional basca de novo cunho dos tempos modernos, após ULDALBILTZA) começou a andar com decisom e forçá polo caminho que conduz para a vitória necessária.
Mas, insisto, cumpre invocarmos e usarmos e manejarmos o pesimismo da inteligência. Porque acaba o tempo útil para tomarmos medidas imprescindíveis para a nossa sobrevivência. Em primeiro lugar para a sobrevivência da Humanidade no seu conjunto. Na semana passada, no dia 17, conheceu-se em Nova Iorque um avanço do relatório da ONU World Ressources 2000-2001 elaborado polo Instituto de Recursos Mundiais com participaçom de duas agências da ONU (o Programa de Naçons Unidas para o Ambiente –PNUMA- e o Programa das Naçons Unidas para o Desenvolvimento –PNUD) e o Banco Mundial. Uns 175 cientistas do mundo todo participárom na elaboraçom deste relatório, que principiou a ser redigido em 1998. As suas conclusons baseiam-se na Análise Piloto Global dos Ecossistemas (PAGE, nas suas siglas inglesas), umha análise geral sobre a situaçom dos cinco grandes ecossistemas.
O relatório utilizou todos os dados disponíveis sobre a exploraçom dos recursos naturais: produçom de alimentos e matérias primas, estudos dos respectivos países sobre ambiente, análises globais sobre espécies em vias de extinçom e relatórios biológicos de outras instituiçons. Esta avaliaçom também permite determinar as carências de informaçom sobre os recursos. Eis uns poucos dos ferozes dados que esta gente compilou: A METADE DAS TERRAS FÉRTEIS DESAPARECÊROM NOS ÚLTIMOS CEM ANOS; AS FRAGAS MUNDIAIS TAMBÉM PERDÊROM A METADE DA SUA SUPERFÍCIE; 9% das variedades das espécies de árvores correm risco de extinçom; as frotas pesqueiras som um 40% mais grandes do que os oceanos podem suportar, 20% dos peixes de água doce estám em perigo de extinçom. O consumo de recursos naturais polas economias industriais continua a ser muito elevado, entre 45 e 85 toneladas por pessoa e ano. O uso de energia AUMENTOU UM 70% DESDE 1971. A água é sem duvidar o recurso mais ameaçado. 66% DA SUPERFÍCIE AGRÍCOLA PADECEU ALGUM TIPO DE DEGRADAÇOM NO ÚLTIMO MEIO SÉCULO devido sobretudo à erosom, à salinizaçom e a poluiçom.
Desde 1970, a gadaria triplicou-se e as colheitas multiplicárom-se por dous, mas a degradaçom dos solos é tal que se reduzirá a produtividade das terras de cultivo em 16%. 55% DAS PRADARIAS E SABANAS DO MUNDO CORRE O RISCO DE FICAREM DESERTIZADAS. As pradarias e sabanas cobrem 40% da superfície terrestre e acolhem 1000 milhons de pessoas. A metade mora em áreas que correm risco de desertizaçom. 30% DAS FRAGAS E SELVAS DEFLORESTÁROM-SE PARA CULTIVAR NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. As fragas representam um quarto da superfície terrestre. A deflorestaçom tropical atinge cada ano mais de 130.000 km2. Menos de 40% das fragas livra-se da perturbaçom devida à actividade humana. 30% das bacias perdêrom as três quartas partes da sua arvoreda original, o que favorece a erosom do solo.
40% da populaçom mundial mora a menos de 100 km. das costas. Esta faixa supom menos de 20% da superfície total da terra firme. Este acrêscimo da populaçom está a acabar com os recursos natruais destas zonas. O peixe e os mariscos representam umha sexta parte das proteínas animais que consume o homem. Algo mais de mil milhons de pessoas dependem apenas deste alimento como principal fonte de proteínas. A produçom pequeira mundial multiplicou-se por seis desde 1950. 70% DOS RECURSOS PEQUEIROS MARINHOS ESTÁM SOBREEXPLORADOS. Os ecossistemas das costas estám esgotando a sua capacidade de absorçom da poluiçom devido ao crescente número de produtos químicos que se vertem nas suas águas. A água doce é o recurso que corre maior perigo de poluiçom. 40% DA POPULAÇOM AINDA PADECE SÉRIOS PROBLEMAS DE ABASTECIMENTO QUE SE AGRAVARÁ NOS PRÓXIMOS ANOS. A biodiversidade está muito mais ameaçada do que nos ecossistemas terrestres. Mais de 10.000 espécies dos peixes de água doce extinguírom-se ou estám em vias de extinçom.
AVISO: é praticamente seguro que estes dados estejam recurtados. Que estejam minimizados. Que, sem falsificá-lo (o que também nom pode excluir-se) se escolha sistematicamente o extremo menos mau da faixa quando houver intérvalos de dúvida na estimaçom. Um dos miseráveis ao serviçom do Capital que elaboram e maquilham estes relatório dixo, significativamente, que: "Nom é questom de falarmos do fim do mundo e nom podemos pôr umha data para o esgotamento dos recursos naturais, mas se continuarmos assim, vamos viver num mundo muito mais pobre"
Mas sim é questom de falarmos do fim do mundo. Do fim de um mundo em que poda sobreviver a imensa maioria da Humanidade. Umha boa parte da causa de que eu esteja furioso e anojado é o facto de NINGUÉM me ter falado nem comentado nem enviado um e-mail nos últimos 8 dias sobre estes terríveis dados. Sabemos que o capitalismo leva os seus 500 anos de vida a destruir o planeta, deixando de pagar o que gasta, "externalizando" custos ao nom repor o que gasta nem limpar o que suja e carregando estes custos na conta da diminuiçom da saúde e a vida do género. Sabemos que dentro do capitalismo NOM HÁ SOLUÇOM para essa pavorosa crise ecológica por ele causada.
Veja-se na nossa web o texto ao respeito de Wallerstein Ecologia e custos de produçom capitalistas: nom há saída.
E, no entanto, quando se publicam dados tam ferozes e preocupantes como estes, nem sequer nos comovem. Nem sequer os comentamos. Nem sequer os discutimos.
Acontece aliás, que acaba o tempo nom só porque o Capital nos destroça a Terra. Senom com ainda maior urgência porque o Capital tenta destruir naçons e culturas para diminuir os seus custos e alargar os seus benefícios ao perseguir planificadamente que a uniformizaçom dos biodiversos Homo sapiens nationalis num único Homo Caca Colensis tornará mais fácil a exploraçom e menor a resistência dos explorados. Tornará mais fácil deter a queda da sua taxa de lucro e recompor a sua maltreita acumulaçom capitalista.
Repito, portanto. Acaba-se-nos o tempo útil para tomarmos medidas imprescindíveis para a nossa sobrevivência. EM primeiro lugar para a sobrevivência da Humanidade no seu conjunto. E em segundo lugar para a sobrevivência das naçons e culturas sem Estado. A basca em concreto.
Com efeito, wappo, cowlitz, siuslaw, jalanga, ngarndji, eyak, mok, khamti, khowar... serám dentro de poucos anos nomes do extinto. Som nomes de línguas com menos de dez falantes, várias delas com só um... Na actualidade existem umhas 5000 línguas. Segundo um estudo que está a elaborar a UNESCO, as línguas que estám abocadas quase inexoravelmente à extinçom som mais de um 60% das que hoje existem. Como aconteceu já a outras, como o ona, da Argentina, que se extinguírom há uns anos após o falecimento do seu derradeiro falante. Conseguir um Estado próprio é para as naçons e culturas que carecem dele um requisito necessário (embora nom suficiente) para a sua sobrevivência perante o actual brutal ataque desnacionalizador e uniformizador do Capital.
Por isso o passado Aberri Eguna foi tam contraditório. Foi positivo e esperançador porque os militantes e simpatizantes das três forças políticas nacionalistas bascas (PNB, EH e EA) acudimos ao chamado de UDALBILTZA para celebrarmo-lo conjuntamente perante os Concelhos de todos os herrialdes.
Mas foi terrivelmente negativo porque PNB e EA se mostrassem, como se mostrárom, tam pedentes da opiniom dos espanhóis e os franceses, tam pouco decididos para irmos o depressa que cumpre irmos, tam prontos para esperar outra vez anos e anos a que caia do céu o maná de umha vontade dos Estados opressores.
Otegi lembrou-lhes a nossa situaçom ao PNB e EA no comício de EH no Anaitasuna pamplonês: "Os bascos e bascas temos limitados os nossos direitos e na prática vivemos num apartheid político dentro do nosso país. Quem optar por desenvolver os seus direitos políticos como cidadaos espanhóis ou franceses tenhem os seus Estados para os ampararem, reconhecimento internacional, métodos de repressom, cárceres e todo um ordenamento jurídico ao seu serviço, enquanto que nós nom temos nada".
Por isso padecemos todos os dias a tortura de bascas e bascos polos espanhóis. E a violaçom espanhola e francesa dos direitos das bascas e os bascos. Por isso a situaçom das e os prisioneiros políticos bascos continua a ser o terrível que é. Na análise ALARGADA voltarei a dar provas desses ferozes fenómenos (o caso de Sergio Medina, p. e.).
Otegi advertiu a PNB e EA que "Los instrumentos que pactuaestes com Madrid nom tenhem já percurso estratégico e apenas servem para oxigenar politicamente o espanholismo. Nom existe já gasolina política para puxar do Estatuto Vascongado, do Amejoramiento e a falta de instituiçons em Lapurdi, Zuberoa e Baxe-Nafarroa".
Porém, em Bilbo o medoso Ibarretxe tornava a desorienta a sua audiência de milhares de militantes e simpatizantes do PNB. Voltava a silenciar a ferocidade da tortura às bascas e bascos de actualidade na semana passada, tornava a silenciar que a violência de ETA (que citou de forma revesgada e tergiversada) foi sempre e é hoje violência de resposta que emerge de um ovo oprimido e violentado. E em Gernika a desnortada Errazti ocultava também aos seus filiados e simpatizantes de EA que continuam vigentes as mesmas razons que figérom surgir essas "pistolas de ETA" que tanto a repugnam e sem as quais tantos dos seus filiados reconhecem que "nos teriam tirado até os apelidos". Infelizmente nom som só do PNB e de EA os cegos alienados e insensatos "moderados". Também há em EH. E escrevem na imprensa e falam na rádio e as televisons. Como Patxi Zabaleta e Iñaki Aldekoa por citar apenas dous nomes.
Sim. Contraditório Aberri Eguna. Como contraditória e difícil é a nossa realidade. Que, no entanto, nom é de impossível soluçom. Nom está o amanhá escrito. Depende dos nossos punhos e das nossas vozes escrevê-lo. Como nos prometem fazê-lo, independentistas bascos e revolucionários, quem componhem essa esplêndida juventude de HAIKA.
Com elas e eles vai o meu aplauso. Com elas e eles vai a minha esperança. A mesma que me fijo há uns anos escrever-lhes esta dedicatória num dos meus livros:
A JARRAI, para que com os seus punhos e as suas vozes contribuam para que a História, que o inimigo contrui como "um conto sem senso, narrado por um idiota e cheio de ruído e fúria", mude em fazer da Terra um Paraíso, a Pátria da Humanidade.
Justo de la Cueva
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